sábado, 30 de maio de 2009



A calma não segue o silêncio.
O silêncio é o mais íntimo dos tormentos;
Torna estrondoso um sussuro;
Inaldível o falso;
Alucina o inaudível.
O caos
é mudo.



*Imagem do filme Persona, Ingmar Bergman.

domingo, 24 de maio de 2009

Para abrir o blog, um texto que escrevi em 17/11/06.

“Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar”*

Saudade é a dor deixada pela felicidade. Da tranqüilidade e inocência da infância. De momentos alegres passados. De pessoas amadas que estão longe. De sentimentos desfeitos. Daquele abraço, daquele beijo, daquele olhar. Das conversas. Do silêncio, principalmente do silêncio. Do suspiro. Do sorriso. Da lágrima. Da gargalhada. Do grito. Do toque. Da pele. Do cheiro. De cidades por onde passamos. Daquele dia chuvoso. Do sol naquele dia. Da lua refletida no mar e da areia em nosso corpo. Do frio daquele dia, do calor também. Do apelido de infância, do apelido secreto. Da sensação que aquela música trazia.

A saudade nos faz pensar no quanto poderíamos ter feito para viver melhor tudo, com a esperança de tudo ter sido infinito. Quando a sentimos é porque sabemos que algo se foi e desejamos profundamente que voltasse. É o sentimento mais legítimo do fim, quando percebemos não viver mais o que gostaríamos de estar vivendo.

“Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus”*


* Trechos de Pedaço de mim – Chico Buarque.